Uma dose de vulnerabilidade

A vulnerabilidade foi um dos temas que estudei um pouco nesse ano, não sou expert e ainda não me aprofundei no assunto, mas 2020 foi o ano em que mergulhei no processo de autoconhecimento e a compreensão e contanto com minha vulnerabilidade fazem parte da jornada.

O foco deste artigo é compartilhar minha visão e experiência em contato com o estado de vulnerabilidade, a Dra. Brené Brown é a expert no assunto, escrevi um pouco sobre os seus estudos em um artigo publicado no Medium.

A vulnerabilidade sempre esteve presente em minha vida, a sensação de estar vulnerável a ação e opinião dos outros foi e ainda é muito viva. O que será que vão dizer sobre o que escrevo? Será que serei reconhecida pelos meus textos? O que posso fazer para ter o meu trabalho reconhecido? O que posso fazer para ser querida pelos outros? Essas são algumas das várias questões que surgem em minha mente quase todos os dias.

“A vulnerabilidade soa como verdade e sente-se como coragem. Verdade e coragem não são sempre confortáveis, mas elas nunca são fraqueza.”
Brené Brown

Há ainda latente em mim o desejo por reconhecimento, acolhimento, afeto, amparo e aceitação vinda dos outros, uma ideia ainda enraizada de que o que faço só está bom se um grupo específico de pessoas verbaliza isso em alto e bom tom. Mas esse reconhecimento nunca vem, é como se minha mente soubesse criar as expectativas certas para sabotar a minha autoestima.

Ao longo dos dias tenho percebido que a grande vilã e salvadora da minha vida sou eu mesma, a pessoa que tem um grande sonho, mas que o sabota, que sabe o que precisa fazer, se planeja para executar, mas ignora o despertador quando ele toca. A mesma pessoa que pede para que os outros tenham paciência com seus processos, em um momento de estresse, não segue os próprios conselhos. 

O contato lúcido com a vulnerabilidade individual é um dos principais elementos de libertação de amarras, de dissolução dos padrões e condicionamentos comportamentais. Conseguir se perceber no ato da autossabotagem, no momento do desequilíbrio emocional, da resposta e ação automática ao que é apresentado pela vida é uma questão de treinamento diário.

A auto observação me faz perceber o tom de voz e comportamento dos outros que agem como gatilhos para o surgimento da minha irritabilidade, a aceleração da minha respiração, tensão e inquietação do corpo, o desequilíbrio. Aos poucos, consigo perceber também o que faço que me causa frustrações e o que me empolga.

O processo de autoconhecimento me fez “voltar” a situações do passado na busca por compreender meus sentimentos e comportamentos, nesses retornos percebi muitos condicionamentos que se perpetuam até hoje. Em alguns momentos ajo como uma criança com medo, mimada ou como um pai severo. 

A autocompaixão tem sido muito importante para o meu processo, não é fácil se perceber repetindo um padrão negativo, mas com a prática da auto observação tem sido possível perceber os gatilhos que provocam as ondas de emoções (independente de quais sejam) e, no momento em que se manifestam, escolher a melhor forma de agir diante do que se apresenta.

Quando me sinto irritada com algo tenho me feito a pergunta: Como alguém centrado agiria? Às vezes percebo que a melhor ação é o silêncio, é permitir que o outro fale o que precisa falar. Ainda me percebo reagente, agressiva, rígida, mas acredito em mim e no potencial de dissolver esses padrões e encontrar o meu equilíbrio.

O auto aperfeiçoamento tem sido um exercício diário de perceber o que sinto, quando sinto, como reajo ou ajo sob efeito desses sentimentos e de me questionar sobre esses comportamentos e padrões, de compreender o que faz sentido permanecer, o que preciso transmutar, tendo como objetivo ser a minha melhor versão.

A vulnerabilidade é um espaço importante para o crescimento e evolução pessoal e coletiva, porque quando um de nós evolui, todos evoluímos.

Obrigada por chegar até aqui, por me acolher e me ouvir.

Abraço e,

Be brave!

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