A gentil ilusão que criamos de que nossos pais são nossos heróis

A infância costuma ser a fase das nossas vidas onde criamos nossa estrutura de crenças e referências, tendo nossa base familiar, principalmente nossos pais como exemplos a serem seguidos.

Quem nunca imaginou o pai como o Superman e a mãe como a Mulher Maravilha? Nem todos nós convivemos em uma família “dentro da regra”, do padrão, mas o que consumimos como conteúdo nas mídias tendenciou nosso olhar para a relação entre nossos pais e os heróis dos filmes e desenhos.

Mas o que acontece quando a pessoa que deveria salvar as nossas vidas nos decepciona? Quando nos sentimos traídos pelo nosso exemplo de ser humano ideal? Será que nossos pais são mesmo “super” ou criamos uma projeção e nos apegamos a essa imagem sem perceber que é uma ilusão?

O fato é que, mesmo na fase adulta, muitos olham para os pais como exemplares e quando estes agem de forma contrária a imagem que criamos, tendemos a nos sentir decepcionados e, em algumas situações, buscamos desconstruir em nós as semelhanças que temos com eles.

Os nossos pais são quem são e isso transcende a ilusória imagem heroica que criamos ou não deles. São humanos assim como nós, erram, ferem, choram, sangram, buscam a felicidade, tem gostos peculiares, enxergam o mundo por uma perspectiva diferente da nossa, desejam coisas, ambicionam realizações e tem interesses particulares que, em alguns momentos podem ir de encontro aos nossos valores e as projeções que criamos sobre eles.

Nossos pais são tão imperfeitos quanto nós, são aprendizes com alguns anos de experiência, mas que passaram pelas mesma fases evolutivas que passamos e passaremos. Viveram o primeiro amor e talvez se desiludiram, gastaram muito em festas e alguns anos depois se culparam por não terem investido em uma poupança, entre tantas outras questões cotidianas.

Se possível sente e converse com eles, pergunte sobre suas experiências. Como foi a experiência no primeiro emprego? Por que escolheu a carreira que vive hoje? Por que não casou com a primeira namorada? Essas questões são vividas por todos nós e muitas vezes é reconfortante conhecer as histórias reais de outras pessoas que assim como nós querem muito ser felizes e evitar o sofrimento.

Se possível converse com os seus pais.

Abraço!

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